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24.05.2009
Pernambuco vai mapear crimes
Em várias partes do País, o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi marcado por passeatas e manifestações. Em Pernambuco, o governo estadual anunciou que vai realizar um grande mapeamento desse tipo de crime no Estado. O processo licitatório para a contratação da empresa que fará a pesquisa será aberto no final de junho. Enquanto a parte burocrática não é concluída, a Rede Estadual de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes discute quais serão as prioridades do levantamento. Ontem à tarde, centenas de pessoas participaram de uma caminhada no Centro do Recife.
O mapeamento da real situação da exploração sexual infantil em Pernambuco vai preencher uma lacuna no combate ao crime no Estado. “Há um descompasso muito grande entre o que dizem nossas pesquisas e os registros na polícia”, reclamou a coordenadora da rede de combate ao abuso e exploração sexual das crianças e adolescentes no Estado, a advogada Gabriela Amazonas.
Segundo ela, um levantamento preliminar do grupo apurou que há 63 municípios pernambucanos com pontos de exploração sexual infantil. “Enquanto isso, a GPCA (Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente) registrou apenas três casos desse tipo”, comparou.
Ainda de acordo com a advogada, para indicar as prioridades do levantamento que será realizado, o Plano Estadual de Enfrentamento da Exploração Sexual Infantil será usado como referência.
O mapeamento será um instrumento importante para a identificação dos casos. O próximo passo será conscientizar os pais. “Há muitos casos em que o pai ou a mãe é conivente com o crime e isso dificulta. Para esses casos, a lei prevê que o Estado pode nomear um curador para acompanhar”, explicou.
Um problema importante que o levantamento poderá resolver é a falta de informação sobre a movimentação dos exploradores. “A Polícia Rodoviária Federal fez muita fiscalização nas estradas, que são os principais pontos de exploração no interior. Mas não resolve, porque eles simplesmente mudam de lugar. E, infelizmente, nós não somos tão organizados quanto eles para agir em rede”, lamentou.
Com vítimas cada vez mais novas, a recompensa pelos serviços sexuais muitas vezes são ligados a sonhos de consumo dos adolescentes. O que também aparece como um grande complicador no combate à exploração. “Houve um caso de meninas de 9 e 10 anos exploradas pelo dono de um fiteiro em troca de bombons, biscoitos, doces. Muitas vezes a moeda de troca é dinheiro, mas eles também usam objetos como tênis, celular, roupas.”
MANIFESTAÇÃO
Na passeata de ontem, no Parque Treze de Maio, na Boa Vista, crianças, homens e mulheres vestiram a camisa, literalmente, dizendo “não” à exploração sexual infantil. Houve apresentação de peças teatrais pelo Grupo de Teatro de Peixinhos e também das atrizes do Loucas de Pedra Lilás. Às 16h30, os participantes seguiram em passeata para o Pátio de São Pedro, bairro de São José.
Fonte: Jornal do Commercio, publicado em 19/05/2009
repórter Thaís Gouveia
